Importante é preservar a memória dos lugares. OLHÃO é a minha Cidade.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Edifício da Alfândega



A Alfândega


O grande desenvolvimento económico apresentado pela Vila de Olhão no segundo quartel do século XIX, nomeadamente através do comércio marítimo, justificou a criação de uma Alfândega em 1842, com um quadro de pessoal privativo constituído de começo por um diretor, um tesoureiro, um verificador, um escrivão de receita, um escrivão de carga e descarga, um porteiro, um meirinho, quatro guardas de bordo, um patrão e três remadores.

Os serviços foram instalados num edifício existente junto ao mar, virado para a então chamada Praça do Comércio, mais tarde designada de Largo da Alfândega e depois, definitivamente, Largo Patrão Joaquim Lopes. A casa seria, nas palavras de Ataíde Oliveira, pertença dos herdeiros de António Alberto.

Edifício da Alfândega à direita. As casas no centro da imagem, sendo a da direita um forno,  faziam parte da extinta Rua José Pacheco.


Também aí esteve alojada a Capitania do Porto de Olhão até à sua transferência para o local onde ainda se encontra.


O imponente edifício, com dois telhados de duas águas e com chaminés, dispunha de uma fachada principal donde sobressaía, para além das  7 janelas de madeira pintada de branco com varandas de ferro forjado, um frontão decorado por cima da platibanda. As portas de madeira eram pintada de castanho.





Pormenor do frontão da fachada principal
 
O peso dos anos e algum descuido na sua manutenção deram-lhe um ar bastante degradado no final do século XX.


O edifício da Alfândega em 1997

Na primeira década deste século foram levadas a cabo obras de restauro e requalificação.
Presentemente o edifício tem sofrido alterações no seu traçado exterior original, nomeadamente nas portas do rés do chão, ocupado por estabelecimentos e nas janelas do primeiro andar que alberga a sede local do Partido Socialista.

O edifício da Alfândega em 2015

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Os Correios



O Serviço Postal


Edifício dos Correios, Avenida da República

O primeiro Serviço de Correios e Encomendas Postais foi instalado na Vila de Olhão em 1842, sendo seu concessionário João Inácio Pereira.


Em 1861 foi criada a Estação Telégrafo-Postal, com um serviço telegráfico para todo o país, e instalada na Rua dos Mercadores (hoje Rua Dr. Teófilo Braga).

Rua Dr. Teófilo Braga


Normalmente as instalações destas estações de correio eram nas residências dos concessionários ou agentes e por esse motivo mudavam frequentemente de local.

Já no século XX, a Estação dos Correios fixou-se na Rua do Correio Velho (que por esse motivo assim se chamava), atualmente Rua do Dr. Carlos Fuzeta.


Fotografia de António Martins

Em meados do século passado, fixou-se no Largo da Restauração, mais propriamente na rua lateral Norte da Igreja Matriz.

 
Os Correios funcionaram no edifício térreo




Notícia sobre a localização das futuras instalações


 Em 1961, foi inaugurado o edifício construído de raiz para albergar os Correios, Telégrafos e Telefones, na Avenida da República.
 

Edifício atual dos Correios, Avenida da República

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Rua da Fábrica da Loiça


 

 
 
Fábrica de Cerâmica

Já no século XVIII existiam no Lugar de Olhão algumas olarias que produziam, para além de louça de barro para uso doméstico, alcatruzes para as noras e para a captura de polvos.
Nos finais do século XIX (1880) uma dessas olarias produzia louça fina de barro com recurso à maquinaria mais moderna da época e empregando mais de uma dezena de operários de ambos os sexos. O êxito de tal empreendimento, gerido pelos irmãos Martins Coimbra, ceramistas formados nas Caldas da Rainha, progrediu para o fabrico de loiça fina de pó de pedra, passando a ser única no seu género em todo o Algarve.
Em 1891, a fábrica tinha edifício próprio na rua que levou o seu nome: Rua da Fábrica da Loiça.

A Fábrica já desapareceu há muito (anos 40/50) mas o nome da Rua ficou.

Rua da Fábrica da Loiça

Rua da Fábrica da Loiça

Fonte: 
Antero Nobre - Breve História de Olhão da Restauração

Fábricas de Farinhas e Óleos




 
 
Situada na ponta oeste da cidade, a seguir ao Largo da Feira, a SAFOL - Sociedade Algarvia de Farinhas e Óleos, Ldª -  foi criada em 1939 para tratar os desperdícios do peixe da indústria conserveira, transformando-os em óleos, farinhas e guanos. Era propriedade do grupo de industriais conserveiros de Olhão e Vila Real de Santo António. Foi a primeira fábrica do género a instalar filtros de modo a diminuir em grande escala o cheiro intenso que resultava da transformação dos resíduos do peixe. 

Publicidade na Revista Conservas de Peixe, 1949

 
Em 1970 surge outra fábrica de transformação de desperdício de peixe, a FARISOLFarinhas e Óleos de Peixe do Sul, LDA.
 
Ambas desapareceram na virada do novo milénio.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Placas Toponímicas


As placas de identificação das ruas também acompanharam a evolução da cidade.
Durante o Século XX, foram estes o modelos:

Esmalte azul escuro, com letras brancas 






Mármore (ou calcite)




Mármore





Azulejo decorativo




Azulejo com o brasão da Junta de Freguesia

particularidade do erro gráfico nas datas


Azulejo com brasão da Câmara Municipal em fundo claro




Azulejo com brasão da Câmara Municipal em fundo escuro

Beco já desaparecido
 

domingo, 17 de janeiro de 2016

A Doca


O Porto de Pesca

Entendendo como porto o local onde carregam e descarregam e se abrigam embarcações de vários calados, é assim a história do porto de Olhão:

Diz Antero Nobre que "o primeiro porto olhanense não era do lado da Barreta e sim do lado do Levante, que na realidade ficava muito mais perto e com mais fácil acesso ao local da nascente ou fonte que deu origem e nome ao Lugar do Olhão".


Nas décadas de 40 e 50 do século XIX, "a pesca costeira e longínqua ganha um ainda mais rápido e muito maior desenvolvimento, ocupando cada vez maior número de homens e uma frota constantemente a aumentar, passando em breve o abastecimento de pescado fresco ao interior do Algarve e ao Baixo Alentejo a ser quasi exclusivamente olhanense".
Neste contexto de grande desenvolvimento económico, "a Câmara Municipal vê-se, mesmo, obrigada a construir, ela própria, de sua conta e apesar das suas dificuldades financeiras, em 1857, um cais acostável, no lado Poente da Praia (lado da Barreta), transferindo para o lado Nascente (junto do velho Moinho do Levante, que o povo já então designava por Moinho do Sobrado) os estaleiros navais, que ali existiam quasi desde a fundação do povoado ; cais em que, no ano de 1861, começa a construir, e em 1866 inaugura, um pequeno Mercado coberto, destinado à realização da Lota do peixe e à venda de pescado ao público, e que se conservaria depois em serviço durante meio século. Em 1864, dado o grande aumento das frotas locais de pesca e comércio, é criada a Capitania do Porto de Olhão, desde o início considerada igualmente, pelo seu movimento, das mais importantes do Sul do País.

Em 1927, é criada  "a Junta Autónoma do Porto Comum Faro-Olhão, presidida, alternadamente, pelo Presidente da Câmara Municipal de Faro e pelo Presidente da Câmara Municipal de Olhão" e em 1928 ocorre "a abertura à navegação da Barra Nova daquele novo porto" e fica decidido que "o cais comercial do Porto Comum ficaria em Faro e o cais da pesca ficaria em Olhão" . Assim, "a Junta Autónoma construiu logo, na praia olhanense, a leste dos Mercados, em frente do que restava do velho Moinho do Levante e dos estaleiros, um longo espigão terminado por um galpão coberto, para nele se efectuar a Lota do Peixe, e junto de ambos um depósito elevado para água, a fim de facilitar a aguada dos barcos pesqueiros". 

Barra Nova



Rampas



Segundo dados estatísticos, em 1945, havia 3070 pescadores inscritos na Capitania do Porto de Olhão, que utilizavam 917 embarcações, sendo 52 de motor mecânico e 865 de vela ou remos, entre as quais 11 artes de cerco, 6 caçadas de mar alto, 300 sacadas e um número considerável de traineiras. O movimento do porto de pesca era tão grande que, em 1948, justificou a construção,na praia a Leste do velho Moinho do Levante e dos estaleiros, de uma Doca de Pesca, cuja dimensão e serviços a colocaram como sendo das maiores e melhores de todo o País. Ficou concluída em 1951.




 
Em 1962, foi-lhe acrescentado  um amplo edifício situado no próprio cais da doca, a Lota de Pesca.


Em 1984, a Doca sofreu obras de ampliação para cerca do dobro da sua área primitiva.