A Taberna do Florival
O Malveiro de pé, o Parguete com a garrafa na mão, o Florival ao balcão, o Tonecas, o Balé Távivo, o Zé Joaquim Carapenhudo e o Zeca Estrela.
Na Barreta, antiga casa Caiado.
A Taberna do Florival
O Malveiro de pé, o Parguete com a garrafa na mão, o Florival ao balcão, o Tonecas, o Balé Távivo, o Zé Joaquim Carapenhudo e o Zeca Estrela.
Na Barreta, antiga casa Caiado.
O Barriga de Bicho
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| Fotografia de Luís Torres recolhida da net |
De seu nome completo Manuel Mestre Pereira, circulava pelas ruas sempre de garrafa de cerveja na mão. Era casado e pai de uma grande prol, dois dos quais eram albinos e por isso conhecidos por a Branquinha e o Branquinho.
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| Américo, o Branquinho |
O Coxo da Muleta
Sebastião Estrela - O coxo da muleta
O Gaitinha
Chamava-se Cirilo e era figura incontornável nas Procissões do Senhor Morto, na Sexta-Feira Santa, pelo vigor que imprimia no toque das matracas que abriam o cortejo religioso.
A Venda do Sr. Cabrita
Assim eram designadas as mercearias. Vendiam de tudo um pouco: acúcar, café, farinha, massas, arroz e azeite a granel. Fruta da época e verduras, batatas e cebolas ombreavam com a charcutaria e as guloseimas. Pás do lixo, piaçabas, sabão e vassouras compunham o ramalhete do governo da casa.
Muitas delas vendiam vinhos e licores e tinham licença para abrir ao domingo de manhã.
Quem não se lembra da venda do Sr. Cabrita, próxima da esquina da Rua Nova do Levante, hoje Rua Dr. Eusébio Ramires, com a travessa do Moinho?
José Cabrita e Maria da Piedade eram os donos desta venda a que acrescentaram a taberna e a frutaria. Aqui numa fotografia de 1967.
Eu nasci e fui criado um pouco mais abaixo numa das ruas adjacentes, rua dos Arménios, por tal eu conheci muito bem esta família, com os respetivos filhos, gente muito educada e respeitosa, e assim como esta gente Olhão se fez grande. Eu convivia quase todos os dias com o sr. Cabrita, indo comprar algumas guloseimas, quando aproveitava ir comprar algo para os meus pais. Aí onde se vê o sr. Cabrita e esposa e, penso eu, a sua neta, à porta do seu comércio, havia lá de tudo: taberna, mercearia e frutaria e mesmo jogos para nós os moços como carolos, berlindes e piões e as rifas para ganhar o maior prémio que era a bola para jogar. Que belas frutas que ele lá tinha! Eu adorava comprar figos torrados e castanhas secas peladas. mais tarde quando sua filha se tornou mais mulher ele abriu a mercearia mesmo a seguir ao canto. Um dos meus irmãos, o Mário, mais velho, que andava a aprender o ofício de carpinteiro merceneiro à do sr. Fernando, aí mesmo em frente ao outro canto da rua e da mercearia, tornou-se em muita amizade com o Zé que passava nas horas vagas lá na oficina e assim fui acarinhado por a família dos Cabritas. Quando a sra. Piedade fazia o lanche, uma omelete, todos os dias para os filhos, mandava uma sra. da sua confiança ir buscar o Mário, meu irmão, para vir lanchar, e assim se tornaram grandes amigos. Ainda hoje o meu irmão diz que o Zé Cabrita era um autêntico artista pintor, um homem com uma faculdade intelectual enorme e grande educação.
Hoje recordamos o Balé e o seu famoso pai, o Sr. Vidal, para sempre ligado à história do Sporting Clube Olhanense.
O Balé
De seu nome Francisco Vidal, era um dos filhos do Sr. Vidal, nome histórico do Sporting Clube Olhanense.
Embora com atraso de cognição, era educado e risonho.
"Dá pão, tia!" foi a sua célebre frase.
Faleceu em 1982.
Aqui deixo um episódio com ele, relatado pelo sr. Francisco do Ó, de Olhão:
"Num verão foi, como sempre, o cabelo do Balé cortado à careca e vestiram-lhe uns calções pelo joelho feitos de umas calças velhas e lá veio o Balé pelas avenidas abaixo com uma vestimenta que não era usual naquele tempo e vinha encostado às paredes para não se meterem com ele. Apesar do seu atraso mental tinha a noção do ridículo e assim, meio escondido, chegou ao adro da igreja. Nessa altura era raro o turista que visitava Olhão, uns ingleses de vez em quando. Espantado, o Balé, viu um desses raros turistas com uns calções como os dele. Feliz por isso aproximou-se do individuo deu-lhe uma grande palmada nas costas dizendo: " É pá não há pai pá gente".
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| O sr. Vidal, pai do Balé |
O Sr. Vidal, a esposa e os filhos, entre os quais Francisco (Balé), Fernando, Sabino e Helder, viviam no velho e emblemático estádio Padinha.
O balneário, o tratamento e a marcação do campo a cal, eram das suas várias responsabilidades.
A esposa, Adelaide, tratava dos equipamentos. Depois de os lavar eram colocados numas cordas junto ao muro atrás da baliza Norte.
Também prestou reconhecidos efeitos a todos aqueles que o procuravam por problemas de saúde, com as suas fabulosas mesinhas e mãos hábeis nas massagens.
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Estádio do Padinha. Sr. Vidal ao centro,na sua atividade de tratamento do campo |
Todas as terras têm as suas figuras populares. Gente simples que marca uma época e uma identidade. Olhão teve sempre as suas figuras populares. Umas desapareceram no pó do tempo, sem deixar rastro que não a memória. Outras, porque engalanaram o séc.XX, foram fixadas em pinturas ou retratos. Quer uns quer outros preencheram o imaginário da infância nas palavras dos mais velhos da família.
Na generalidade, essas figuras típicas saíam da norma social pelos seus hábitos de vida diferentes, fosse na vestimenta, no andar, na fala ou nos sinais fisionómicos exteriores. De uns conhecia-se a proveniência familiar, de alguns lembravam-se os ofícios que tiveram, mas de outros muito pouco se sabia.
Vamos recordar aqui uns quantos que a arte do pintor Olhanense José Henrique fixou na tela. Sempre que possível, acompanho com fotografias recolhidas da net sem menção de autor e com pequenos apontamentos biográficos.
A Ferreira
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| Teresa Luisa Ferreira |
É claro que todos conhecem a Trésinha: cara bexiguenta, olho vesgo,boca torcida, nariz um pouco achatado; baixa, miúda, mas de tronco rijo e sadio. Para atrair os moços por vezes meneia as ancas como se fosse uma galinha nas aflições de postura. A sua fala é sincopada, defeituosa, soa a cana rachada e a sino ferrugento. As casas públicas da vila nunca a quiseram, já se vê. Mas Trésinha não se importa. A sua cotação, embora insignificante ao lado das congéneres, é a mais acessível às bolsas dos moços marítimos, operários, empregados modestos,e mesmo dalguns rapazes finos, garanto-lhes.
O amor é cego, dizia o poeta.
Nascido e criado na chamada Banda da Frente, chamava-se Luciano Carolas.
Era filho de João Salvador e Laurinda Carolas.
Empregado do sr. Veiga, dono do Cinema-Teatro, anunciava pelas ruas com entusiasmo a programação cinematográfica, dando um colorido especial aos nomes das estrelas americanas que protagonizavam os filmes. São célebres os artistas Jame Caguei (James Cagney), Enrola o Film (Erol Flynn) e Pálinhe Enrêde (Paul Heinreid).
Dele, são lembradas muitas frases, das quais tiro estas:
Um dia, o sr. Veiga deu por falta de dinheiro na gaveta do escritório. Foi a caminho do Carolas e perguntou-lhe:
- Quem mexeu na gaveta?
- Eu cá não sei nem vi 500 escudos nenhuns - foi a sua resposta pronta.
De outra vez, o sr. Veiga mandou-o à praça comprar peixe. Pergunta ingénua do Carolas: E se não houver peixe, posso trazer besugos? (na sua mente, a categoria de peixe apenas contemplava sardinhas, carapaus ou cavalas).
As Levantas
Eram irmãs