Importante é preservar a memória dos lugares. OLHÃO é a minha Cidade.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Rua da Liberdade

 

Tem início no Largo da Liberdade, junto à Rua 18 de Junho. 


 

Cruza com a rua da Cerca do Ferro, Travessa do Júdice, rua de Almirante Reis,  Rua Dr. Ataíde Oliveira e  Rua Dr. António José Almeida.

Termina junto à Rua dr. Afonso Costa.

 No final da Rua existiu a Carpintaria e serração de madeiras de José Henrique Botelho, aqui representada na época e na atualidade: 


 
 

 

Escola Feminina

 

Provavelmente captada nos finais dos anos 40 do século passado, esta fotografia recorda uma escola feminina que existiu na Rua Almirante Reis, no chamado Quintalão do Barros, a norte da passagem de nível. Atualmente, existe um portão de acesso ao espaço. 


 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A Revolta Olhanense nas Lutas Liberais

 


Desde a assinatura do Alvará de 20 de abril de 1826, assinado pela Infanta D. Isabel Maria (futura D. Maria II), que erigiu Câmara, delimitou Termo e deu Juiz de Fora à Vila do Olhão da Restauração, que os olhanenses lutavam pela sua total e concreta aplicação.

Em 1828, D. Miguel instala-se no trono português à frente de uma monarquia tradicional e absoluta, com o poder concentrado na figura do rei.

 Miguel I de Portugal – Wikipédia, a enciclopédia livre

Ora, a 20 de abril desse ano, muito antes da própria aclamação nas Cortes, os miguelistas olhanenses, farenses e tavirenses proclamaram D. Miguel como Rei, numa sessão extraordinária da Câmara Municipal de Olhão.

O Juiz de Fora, Dr. António de Malafaia Freire Telles e presidente da Câmara por inerência, saiu do cargo e da vila por divergências de opinião.

A 20 de maio, a Câmara Municipal reúne extraordinariamente sob a presidência de João Lopes, o vereador mais velho, e revoga a proclamação de D. Miguel.

A 13 de Junho, toma posse o novo Juiz de Fora, o Dr. António José de Morais, nomeado por ordem de D. Miguel.

Em setembro, os vereadores em exercício (João Lopes, Domingos do Ó e Lourenço Lopes) e o Procurador do Povo ou do Concelho (Joaquim Martins Paula) são afastados dos seus cargos sob a acusação de haverem assinado a ata da reunião em que fora anulada a aclamação de D. Miguel, sendo que alguns chegaram a ser presos.

No fim do ano é nomeado um novo Juiz de Fora, também por ordem de D. Miguel: o Dr. António José Valentim, que toma posse em 13 de dezembro.

A renovação da Câmara, que então era anual, faz-se com relativa normalidade, de harmonia com as regras estabelecidas pela política dominante, mas não é feita providência alguma no sentido de dar a Olhão a plena posse do Termo que lhe fora demarcado.

Sentindo-se abandonados pelo poder dominante, são registadas várias manifestações contra as Vereações, e contra os miguelistas em geral, que as apoiavam. Surgem assim as designações políticas de pedristas e liberais, e os desentendimentos sobem de tom, culminando com numerosas prisões de olhanenses, naturais ou residentes na vila.

As condições desses presos olhanenses nas cadeias farenses são tão desumanas face às inexistentes culpas políticas que as autoridades ponderam a sua libertação, mas perante a agressividade dos miguelistas farenses, são enviados para Lisboa.

Encerrados no famigerado Forte de S. Julião da Barra, são alvo de maus tratos e sofrem tantas vicissitudes que alguns chegam mesmo a morrer lá, como Francisco de Soto-Mayor, comandante da Fortaleza de S. Lourenço, o ferreiro Luiz Madeira e um tanoeiro de apelido Ruas.

A grande ironia da sua morte reside no facto de estar ligada em primeira mão ao desejo da autonomia e independência administrativa da sua vila e não aos ideais das facções beligerantes.

 No dia 26 de junho de 1833, as tropas do Duque da Terceira entram em Olhão. E nesse mesmo dia é ali aclamada a Rainha D. Maria II, em sessão extraordinária da Câmara Municipal, então presidida pelo Vereador mais velho, Joaquim Viegas Esperança, substituto do Juiz de Fora de Olhão, Dr. António José Valentim, que, entretanto, tinha fugido da vila.

No dia 30 de junho, num ofício dirigido à Câmara Municipal de Olhão, o Duque de Palmela ordena, de Faro e em nome do Regente Duque de Bragança, a posse do Dr. João Carlos de Oliveira Pimentel no cargo de Juiz de Fora,e, consequentemente no de Presidente da Câmara Municipal.

Olhão torna-se, então, num dos poucos e sem dúvida num dos mais fortes baluartes do liberalismo no Algarve.


 

No princípio de agosto, as tropas miguelistas desencadeiam um violentíssimo ataque a Olhão, repelido vitoriosamente pelos olhanenses nas trincheiras e barricadas levantadas nas entradas da povoação, defendidas vigorosamente por todos os homens válidos, depois de colocarem as mulheres, as crianças e os velhos a salvo, em barcos, no meio da Ria Formosa. 


 

As estratégias de defesa olhanense seguram e rejeitam novos ataques miguelistas em 17 e 21 de setembro, tendo este último sido comandado pelo próprio General Tomaz Cabreira, figura máxima dos miguelistas no Algarve.

 

Os mais violentos ataques miguelistas foram os desencadeados contra o baluarte localizado onde hoje é o Largo da Liberdade, porque era então ali a única possível entrada direta na vila a pé enxuto, e em qualquer dia e a qualquer hora, já que por qualquer outro lado se teria forçosamente de atravessar os sapais e esteiros da Ria Formosa que rodeavam a povoação.

 Muitos ataques se seguiram, não conseguindo os miguelistas resultado favorável. O de 22 de fevereiro de 1834 foi particularmente violento, registando-se as baixas dos olhanenses Manuel José Patrício, Luiz Fernandes, Veríssimo Pereira de Mendonça e João da Silva Lopes.

 

Figuras Miguelistas das Lutas Liberais no Algarve 

- Tomás António da Guarda Cabreira Correia da Silva da Ponte e Alvelos Drago Valente de Faria (Castro Marim, 20 de Outubro de 1792 – Faro, 21 de Novembro de 1834.

Foi marechal-de-campo de D. Miguel I e responsável pela defesa do Algarve contra as tropas de D. Pedro IV.

Estava em Faro quando se dá a Convenção de Évora Monte, tendo aí sido preso e morto, assassinado na cadeia, por defender a causa miguelista.

 

 - José Joaquim de Sousa Reis – o “Remexido” – foi um guerrilheiro miguelista que espalhou o medo e a morte entre as populações algarvias.

 Arquivo de Remexido - Sul Informação

 

Dos enormes prejuízos sofridos pela população olhanense dei conta no texto “Olhão nas Lutas Liberais”.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

As Tabernas

 A Taberna do Florival

 

 

O Malveiro de pé, o Parguete com a garrafa na mão, o Florival ao  balcão, o Tonecas, o Balé Távivo, o Zé Joaquim Carapenhudo e o Zeca Estrela.

Na Barreta, antiga casa Caiado.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Figuras Populares III

 O Barriga de Bicho 

 

Fotografia de Luís Torres recolhida da net

De seu nome completo Manuel Mestre Pereira, circulava pelas ruas sempre de garrafa de cerveja na mão. Era casado e pai de uma grande prol, dois dos quais eram albinos e por isso conhecidos por a Branquinha e o Branquinho.

 

Américo, o Branquinho


O Coxo da Muleta


 

Sebastião Estrela - O coxo da muleta

 

 O Gaitinha


Chamava-se Cirilo e era figura incontornável nas Procissões do Senhor Morto, na Sexta-Feira Santa, pelo vigor que imprimia no toque das matracas que abriam o cortejo religioso.