Importante é preservar a memória dos lugares. OLHÃO é a minha Cidade.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Os Correios



O Serviço Postal


Edifício dos Correios, Avenida da República

O primeiro Serviço de Correios e Encomendas Postais foi instalado na Vila de Olhão em 1842, sendo seu concessionário João Inácio Pereira.


Em 1861 foi criada a Estação Telégrafo-Postal, com um serviço telegráfico para todo o país, e instalada na Rua dos Mercadores (hoje Rua Dr. Teófilo Braga).

Rua Dr. Teófilo Braga


Normalmente as instalações destas estações de correio eram nas residências dos concessionários ou agentes e por esse motivo mudavam frequentemente de local.

Já no século XX, a Estação dos Correios fixou-se na Rua do Correio Velho (que por esse motivo assim se chamava), atualmente Rua do Dr. Carlos Fuzeta.


Fotografia de António Martins

Em meados do século passado, fixou-se no Largo da Restauração, mais propriamente na rua lateral Norte da Igreja Matriz.

 
Os Correios funcionaram no edifício térreo




Notícia sobre a localização das futuras instalações


 Em 1961, foi inaugurado o edifício construído de raiz para albergar os Correios, Telégrafos e Telefones, na Avenida da República.
 

Edifício atual dos Correios, Avenida da República

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Rua da Fábrica da Loiça


 

 
 
Fábrica de Cerâmica

Já no século XVIII existiam no Lugar de Olhão algumas olarias que produziam, para além de louça de barro para uso doméstico, alcatruzes para as noras e para a captura de polvos.
Nos finais do século XIX (1880) uma dessas olarias produzia louça fina de barro com recurso à maquinaria mais moderna da época e empregando mais de uma dezena de operários de ambos os sexos. O êxito de tal empreendimento, gerido pelos irmãos Martins Coimbra, ceramistas formados nas Caldas da Rainha, progrediu para o fabrico de loiça fina de pó de pedra, passando a ser única no seu género em todo o Algarve.
Em 1891, a fábrica tinha edifício próprio na rua que levou o seu nome: Rua da Fábrica da Loiça.

A Fábrica já desapareceu há muito (anos 40/50) mas o nome da Rua ficou.

Rua da Fábrica da Loiça

Rua da Fábrica da Loiça

Fonte: 
Antero Nobre - Breve História de Olhão da Restauração

Fábricas de Farinhas e Óleos




 
 
Situada na ponta oeste da cidade, a seguir ao Largo da Feira, a SAFOL - Sociedade Algarvia de Farinhas e Óleos, Ldª -  foi criada em 1939 para tratar os desperdícios do peixe da indústria conserveira, transformando-os em óleos, farinhas e guanos. Era propriedade do grupo de industriais conserveiros de Olhão e Vila Real de Santo António. Foi a primeira fábrica do género a instalar filtros de modo a diminuir em grande escala o cheiro intenso que resultava da transformação dos resíduos do peixe. 

Publicidade na Revista Conservas de Peixe, 1949

 
Em 1970 surge outra fábrica de transformação de desperdício de peixe, a FARISOLFarinhas e Óleos de Peixe do Sul, LDA.
 
Ambas desapareceram na virada do novo milénio.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Placas Toponímicas


As placas de identificação das ruas também acompanharam a evolução da cidade.
Durante o Século XX, foram estes o modelos:

Esmalte azul escuro, com letras brancas 






Mármore (ou calcite)




Mármore





Azulejo decorativo




Azulejo com o brasão da Junta de Freguesia

particularidade do erro gráfico nas datas


Azulejo com brasão da Câmara Municipal em fundo claro




Azulejo com brasão da Câmara Municipal em fundo escuro

Beco já desaparecido
 

domingo, 17 de janeiro de 2016

A Doca


O Porto de Pesca

Entendendo como porto o local onde carregam e descarregam e se abrigam embarcações de vários calados, é assim a história do porto de Olhão:

Diz Antero Nobre que "o primeiro porto olhanense não era do lado da Barreta e sim do lado do Levante, que na realidade ficava muito mais perto e com mais fácil acesso ao local da nascente ou fonte que deu origem e nome ao Lugar do Olhão".


Nas décadas de 40 e 50 do século XIX, "a pesca costeira e longínqua ganha um ainda mais rápido e muito maior desenvolvimento, ocupando cada vez maior número de homens e uma frota constantemente a aumentar, passando em breve o abastecimento de pescado fresco ao interior do Algarve e ao Baixo Alentejo a ser quasi exclusivamente olhanense".
Neste contexto de grande desenvolvimento económico, "a Câmara Municipal vê-se, mesmo, obrigada a construir, ela própria, de sua conta e apesar das suas dificuldades financeiras, em 1857, um cais acostável, no lado Poente da Praia (lado da Barreta), transferindo para o lado Nascente (junto do velho Moinho do Levante, que o povo já então designava por Moinho do Sobrado) os estaleiros navais, que ali existiam quasi desde a fundação do povoado ; cais em que, no ano de 1861, começa a construir, e em 1866 inaugura, um pequeno Mercado coberto, destinado à realização da Lota do peixe e à venda de pescado ao público, e que se conservaria depois em serviço durante meio século. Em 1864, dado o grande aumento das frotas locais de pesca e comércio, é criada a Capitania do Porto de Olhão, desde o início considerada igualmente, pelo seu movimento, das mais importantes do Sul do País.

Em 1927, é criada  "a Junta Autónoma do Porto Comum Faro-Olhão, presidida, alternadamente, pelo Presidente da Câmara Municipal de Faro e pelo Presidente da Câmara Municipal de Olhão" e em 1928 ocorre "a abertura à navegação da Barra Nova daquele novo porto" e fica decidido que "o cais comercial do Porto Comum ficaria em Faro e o cais da pesca ficaria em Olhão" . Assim, "a Junta Autónoma construiu logo, na praia olhanense, a leste dos Mercados, em frente do que restava do velho Moinho do Levante e dos estaleiros, um longo espigão terminado por um galpão coberto, para nele se efectuar a Lota do Peixe, e junto de ambos um depósito elevado para água, a fim de facilitar a aguada dos barcos pesqueiros". 

Barra Nova



Rampas



Segundo dados estatísticos, em 1945, havia 3070 pescadores inscritos na Capitania do Porto de Olhão, que utilizavam 917 embarcações, sendo 52 de motor mecânico e 865 de vela ou remos, entre as quais 11 artes de cerco, 6 caçadas de mar alto, 300 sacadas e um número considerável de traineiras. O movimento do porto de pesca era tão grande que, em 1948, justificou a construção,na praia a Leste do velho Moinho do Levante e dos estaleiros, de uma Doca de Pesca, cuja dimensão e serviços a colocaram como sendo das maiores e melhores de todo o País. Ficou concluída em 1951.




 
Em 1962, foi-lhe acrescentado  um amplo edifício situado no próprio cais da doca, a Lota de Pesca.


Em 1984, a Doca sofreu obras de ampliação para cerca do dobro da sua área primitiva. 

 



 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

As Primeiras Ruas

A Evolução da Área Urbana de Olhão

A praia do Olhão foi povoada desde o início por pescadores [...] que se deslocavam periodicamente a este lugar para exercerem a atividade da pesca.
A descrição que Frei João de S. José faz do Reino do Algarve no ano de 1577 é um bom ponto de partida para entendermos o que eram essas ocupações sazonais. Diz respeito à pescaria do Atum que sucedia também noutras praias do Algarve: “Acode a ela grande soma de pescadores de todo o Algarve com suas mulheres, filhos e outra chusma e fazem suas cabanas por toda a costa, onde estão as armações e continuamente acode a eles toda a gente comarcã a lhe trazer todo o mantimento".
Para a progressiva fixação da população terão contribuído fatores diversos, tais como a existência de uma fonte de água potável e fatores de ordem fiscal. A pequena comunidade estabeleceu-se definitivamente na praia. As cabanas deixaram de ser uma residência sazonal e passaram a ser uma residência fixa, [...] a partir de finais do séc. XVI e início do séc. XVII. 
[...] Em 11 de Junho de 1695 o lugar de Olhão passou a freguesia por provisão do Bispo do Algarve, D. Simão da Gama, na qual ficaram a pertencer “todos os moradores que atualmente são e ao diante forem na dita praia do Olhão”, bem como os dois moinhos, um a levante e outro a poente. Três anos passados após a criação da freguesia iniciou-se a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. A primeira pedra foi solenemente depositada a 4 de Junho de 1698 e em 1715 com as obras por concluir, a Igreja abriu ao culto. O edifício estava situado na extremidade norte do povoado, num amplo terreiro que no século XVIII assumia importância de principal praça da povoação.
A par desta inauguração, ainda em 1715, outro acontecimento provocou uma verdadeira transformação urbana na praia do Olhão, fundamental para a sua expansão. João Pereira, de profissão mareante, requereu à Rainha autorização para construção de uma morada de casas, alegando como causa primeira os incêndios que ocorriam na praia. Este fenómeno estava também relacionado com a existência de um número considerável de cabanas construídas com colmo e outros materiais facilmente inflamáveis. São cerca de trinta requerimentos de moradores na praia do Olhão feitos à Rainha, para autorização de construção de casas entre os anos de 1715 a 1740. 

Em 1722 houve a necessidade de se proceder a uma nova demarcação da freguesia, a qual se expandiria para noroeste, norte e nordeste em direcção às hortas e às cercas e cujos limites aumentavam grandemente.“Além do Vigário Geral do Bispado, que era então o Dr. Manuel de Souza Teixeira, assistiram também à segunda demarcação da área da freguesia do Olhão, em 1722, os Padres Dr. José da Silva Maciel, Francisco Ribeiro e Manuel Gomes Correia, respectivamente párocos de Pechão, Quelfes e Olhão, e ainda o Escrivão da Câmara Eclesiástica, que lavrou o respectivo termo. [...] : “Deitando uma linha direita desde o moinho da parte do Levante, que hoje possuem Manuel Viegas da Baixa-mar, António Mendes Mestre e outros até um cabeço que fica por cima do poço d’esse lugar, onde se pôs um marco; e dali outra linha direita até à porta de Manuel Machado, e desta parte outra linha direita até ao monte de Bartholomeu Martins, ficando dentro deste círculo o dito monte, como a dita horta e o dito poço, e os ditos dois moinhos de que faz menção a Visita, como também outro moinho que é de Manuel Ribeiro de Miranda e do dito Manuel Machado, e todos os moradores da praia; pertencendo tudo o que fica fora do círculo a Pechão e a Quelfes, com exceção da casa da dita Brites Gonçalves, desabitada agora, mas que pode ser de futuro habitada a qual, embora esteja fora do círculo, ficará pertencendo à Freguesia do Olhão. Entre 1780 e 1790 as últimas cabanas teriam desaparecido.
Sandra Romba, A Evolução Urbana de Olhão

 Quando, em 15 de Novembro de 1808, foi elevado à categoria de Vila [...], o Lugar do Olhão era ainda, sob os aspectos urbanístico e social, uma localidade de relativamente pequena importância, embora fosse já uma das mais populosas e economicamente mais desafogadas aldeias algarvias, ou mesmo de Portugal, e também já desfrutasse de certa fama, não só em todo o Algarve, mas também em outras regiões do País.
Com efeito, a área urbana de Olhão era então bastante limitada. Reduzia-se praticamente ao actual bairro velho da Barreta (a Poente), que a tradição dizia ter sido o núcleo inicial da povoação; à parte mais antiga do que é hoje o bairro do Levante (a Nascente); e ao pequeno aglomerado intermédio (a Sul), a que chamavam bairro do Pelourinho por ali ficar a cadeia local (V. Nota A). E terminava (a Norte) nas Cabanas de S. Bartolomeu, situadas no extremo da então bem pequena rua do mesmo nome (o troço sul da actual Rua Almirante Reis, até por alturas dos actuais Largo de João de Deus e Largo de S. João de Deus), e nos adros ou terreiros anterior e posterior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, aquela que o povo conhece principalmente por Igreja Grande.

O primeiro desses adros ou terreiros (o Largo da Restauração dos nossos dias) confinava então por uma das faces (a do Norte) com um campo de figueiras e amendoeiras, restos de antiga horta (V. Nota B), da qual ainda hoje ali existe a casa que teria sido do proprietário ou do caseiro. E o segundo (o actual Jardim Dr. João Lúcio e o primeiro troço da actual Avenida da República), que servia de Campo da Feira, estendia-se apenas, para um lado (Sul), até às Cabanas das Lavadeiras (situadas mais ou menos onde fica presentemente o troço médio da rua que teve o mesmo nome e hoje se chama de Carlos da Maia) e por outro lado (Nascente) até uma zona pelo povo denominada Os Charcos (que começava, mais ou menos, por alturas do actual cruzamento da Rua Diogo de Mendonça Corte Real, antiga Rua dos Murraceiros, com a Avenida da República). Entre as Cabanas de S. Bartolomeu e o Campo da Feira só havia (pelo Norte e pelo Noroeste) algumas cercas e hortas e uma azinhaga, esta que de certo modo ligava aqueles e anos mais tarde viria a ser a Rua Nova da Cerca (a actual Rua da Cerca).


                         Antero Nobre, Breve História de Olhão