Todas as terras têm as suas figuras populares. Gente simples que marca uma época e uma identidade. Olhão teve sempre as suas figuras populares. Umas desapareceram no pó do tempo, sem deixar rastro que não a memória. Outras, porque engalanaram o séc.XX, foram fixadas em pinturas ou retratos. Quer uns quer outros preencheram o imaginário da infância nas palavras dos mais velhos da família.
Na generalidade, essas figuras típicas saíam da norma social pelos seus hábitos de vida diferentes, fosse na vestimenta, no andar, na fala ou nos sinais fisionómicos exteriores. De uns conhecia-se a proveniência familiar, de alguns lembravam-se os ofícios que tiveram, mas de outros muito pouco se sabia.
Vamos recordar aqui uns quantos que a arte do pintor Olhanense José Henrique fixou na tela. Sempre que possível, acompanho com fotografias recolhidas da net sem menção de autor e com pequenos apontamentos biográficos.
A Ferreira
É claro que todos conhecem a Trésinha: cara bexiguenta, olho vesgo,boca torcida, nariz um pouco achatado; baixa, miúda, mas de tronco rijo e sadio. Para atrair os moços por vezes meneia as ancas como se fosse uma galinha nas aflições de postura. A sua fala é sincopada, defeituosa, soa a cana rachada e a sino ferrugento. As casas públicas da vila nunca a quiseram, já se vê. Mas Trésinha não se importa. A sua cotação, embora insignificante ao lado das congéneres, é a mais acessível às bolsas dos moços marítimos, operários, empregados modestos,e mesmo dalguns rapazes finos, garanto-lhes.
O amor é cego, dizia o poeta.
Nascido e criado na chamada Banda da Frente, anunciava com entusiasmo a programação cinematográfica do Cinema-Teatro. Também fazia biscates de levantamento e entrega de encomendas para alguns comerciantes locais.
As Levantas








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