Importante é preservar a memória dos lugares. OLHÃO é a minha Cidade.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

As Vendas

 A Venda do Sr. Cabrita

 Assim eram designadas as mercearias. Vendiam de tudo um pouco: acúcar, café, farinha, massas, arroz e azeite a granel. Fruta da época e verduras, batatas e cebolas ombreavam com a charcutaria e as guloseimas. Pás do lixo, piaçabas, sabão e vassouras compunham o ramalhete do governo da casa.

Muitas delas vendiam vinhos e licores e tinham licença para abrir ao domingo de manhã.

Quem não se lembra da venda do Sr. Cabrita, próxima da esquina da Rua Nova do Levante, hoje Rua Dr. Eusébio Ramires, com a travessa do Moinho?

José Cabrita e Maria da Piedade eram os donos desta venda a que acrescentaram a taberna e a frutaria. Aqui numa fotografia de 1967.


 Acrescento a descrição de Álvaro de Mendonça Pedro

 

Eu nasci e fui criado um pouco mais abaixo numa das ruas adjacentes, rua dos Arménios, por tal eu conheci muito bem esta família, com os respetivos filhos, gente muito educada e respeitosa, e assim como esta gente Olhão se fez grande. Eu convivia quase todos os dias com o sr. Cabrita, indo comprar algumas guloseimas, quando aproveitava ir comprar algo para os meus pais. Aí onde se vê o sr. Cabrita e esposa e, penso eu, a sua neta, à porta do seu comércio, havia lá de tudo:  taberna, mercearia e frutaria e mesmo jogos para nós os moços como carolos, berlindes e piões e as rifas para ganhar o maior prémio que era a bola para jogar. Que belas frutas que ele lá tinha! Eu adorava comprar figos torrados e castanhas secas peladas. mais tarde quando sua filha se tornou mais mulher ele abriu a mercearia mesmo a seguir ao canto. Um dos meus irmãos, o Mário, mais velho, que andava a aprender o ofício de carpinteiro merceneiro à do sr. Fernando, aí mesmo em frente ao outro canto da rua e da mercearia, tornou-se em muita amizade com o Zé que passava nas horas vagas lá na oficina e assim fui acarinhado por a família dos Cabritas. Quando a sra. Piedade fazia o lanche, uma omelete, todos os dias para os filhos, mandava uma sra. da sua confiança ir buscar o Mário, meu irmão, para vir lanchar, e assim se tornaram grandes amigos. Ainda hoje o meu irmão diz que o Zé Cabrita era um autêntico artista pintor, um homem com uma faculdade intelectual enorme e grande educação.

 

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