Importante é preservar a memória dos lugares. OLHÃO é a minha Cidade.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Cultura e Recreio - O Teatro de Revista

 






CARTA DO PESCADOR OLHANENSE

Farcizeca

À díase do mar dâse Berlêngase, a sete bráçase e mêa d' água, embararem-se-m' âze grósêrase, cande vê de lá o mariola do tê pai e me dezeu assim : - Ó hôm! tu ése um montanhêre, hôm! Tu fázez um grande salcrafice em virese ó mar ! - Má o que é que você me dize, hôm?- Digue-te iste e nã casase ca 'nha filha !
Alha-me-ze Farcizeca ! ê cá ântese cria cu tê pai me dèsse doi ó trê estagácess da cara, q'el me dessesse aquil que tá ali à vizeta de gente! Viémese pá terra e a companha du barque nã falava doutra coisa.
Nísete, vê de lá o mane Zé Xaveca e me dezeu assim: -Mó, ó móce! Na te zánguese, ná t' arrelize, móce! Taze-te arralar? - Atão nã m´ êde arralar? - Nã te ralese rapá, se nã casáreze c'a filha dele casaze cá c'a minha hôm! É p'a que vêisase, Farcizeca, quê cá inda tenhe pretendêntase. Tu pensase cú tê pai é o Prencêse D.Carlos? A tua mãi a Rainha D. Imélia e os tês ermãos os Enlefantesinhes ? Alhamese ! ele é mai brute cá mãi dos penhêrese do mane João Luice. Dêxa lá cuma viage quê face ó mar de Larache , ganhe o denhêre às braçadase. Compre um chapé de côque, uma vengala, botas de rengedêra com tapadôiraze, passe a barlavante da tu porta e arraste os peses cóm' um gal. Tu vêse-me e falase-me, mai ê cá veje-te e nã te fale. Mai sê cá sentir alguma coisa du mê côrpe, ai 'nha mãe!!! Digue logue que forem vocêiaze que me fazerem mal! Qu'ê cá nã quér que vócêiaze andem a falar mal de mim p'êssese tânquese e rebêrese! Ê bem sê que tu tenz' uma linda máneca de quez'tura, mai ê cá na sei s'èze tan prefêta de mãoze come dizeze. Na m'arrale! Cá só quer que tu t'allêmbreze dos mês doze brenhoisinhes (ponha lá iste da carta,mano Manel, qu'ela já m'entende). Digue tiste e nã memporta com o pórque do tê pai.
Perdoi a arção.

Embróise  


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